estou lá
mas não sou aquela, não sinto que quero ser perpetuamente.
do outro lado as nuvens vão esvoassando mais além..
até as nuvens voam..
acomodo-me na esquina, vejo-me entre dois caminhos
um é o certo, o do ardor e da paciência banhada na saudade, mas regando as minhas flores
outro é aquele que há de vir, vejo ao longe, mas não o alcanço facilmente
cada vez sinto mais que o dito certo irei tropeçar
e vou olhando como o cabelo cresce, as nuvens passam, o tempo varia, mulher me torno
seria indelicado contar os meses para rebolar ao outro caminho
porque é inseguro e torna-se sedento não caminhar em direcção ao mesmo
doi-me a alma
estamos cá por alguma razao
e eu não estou a auxiliar quem se esforça o possivel, talvez de corpo mas não de alma
tudo me enjoa, tudo me agonia
tenho sede, estou tão sedenta do que quero
debruço-me pela janela e vejo-me de mais perto...
uma cadeira usada, a tinta já lascada vai se perdendo no tempo
um dia já não é mais nova, sente-se já inútil
podia ter dado mais o seu conforto, mas vaisse partindo aos poucos por dentro até ficar completamente oca
serviu de apoio ao pano da cozinha, aconchego ao individuo, e uniu-se ao resto a redor da mesa
a mesa um dia deixarse-á de ser usada
a cadeira tornasse-á fora do necessitar...talvez um dia se torne em algo mais, e nesse dia veja-se feliz.
tenho uma rosa que olho nas noites que me sinto só, vou lá para pedir mais uma volta e outra
ela ja se vai murchando, as pétalas vão caindo, uma a uma a seu tempo..caem e já não haverá mais onde buscar esperança de mais uma volta, será só um caule de espinhos
não me quero tornar assim, dá me fé meu Deus para que não seja a cadeira nem a rosa
e seja o reflexo que devia de ver
forte e auxiliar
amiga e conselheira
amando e sendo amada
mas sonhando os meus sonhos enquanto as nuvens passam, não quando as pétalas já se
encontram no chão e a tinta já se perdeu no tempo .
3 comentários:
"não me quero tornar assim, dá me fé meu Deus para que não seja a cadeira nem a rosa"
As cadeiras irão sempre ruir, enquanto a rosa como flor que é, acabará por murchar.
Tu como pessoa que és, irás cair, levantar-te, chorar, sorrir, viver... morrer...
O que vos distancia é a alma, como ser, a tua essência nunca te deixará inútil como a cadeira ou uma flor, terás sempre um propósito, algo para lutar, vencer e quererás sempre mais.
Irás sempre querer ser feliz, é essa a beleza da vida.
Ass. Daniela Serralha
sim sei, de tudo isso e muito mais. só tenho pena do ponteiro do relógio não parar, pois preciso de me consciencializar que há algo mais na vida para sorrir, chorar já custa..sorrindo torna-se mais fácil.
mas não muda muito...o propósito pode estar cá mas a ferida ainda não sarou.. nem sei quantas luas irá durar.....
Ele dar-te-á força. E... sabes que depois da noite, vem o dia. Tens é que esperar pela primavera da vida.
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