segunda-feira, 30 de abril de 2012

em ti por mim

esta tentação pegajosa.
este sentimento deslocado, deslocado por mim.
esta desconcentração concentrada em ti por mim. 
esta mágoa.
esta verdade mentirosa.
esta mágoa. 
és tu.
esta tentação pegajosa.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

papel do dia solto.

A chuva é assim.
Deixa as pessoas molhadas e frias.
A chuva poderia vir de mim.


Num olfacto prolongado,
cumplice á chávena de café.
Dois a dois passos crescentes, no .chão 
Chão que textura apenas os calos tocam.
Chão frio, café esfriou. Chuva lá fora e eu fora de mim.


Aqui estou, nao evitei.
Vim como o tempo me estendeu.
Cadeiras em simultanêa desordem e pessoas comuns ao individualismo colectivo.
Flashes abstractos pelos olhos cansados em prespectiva dos objectos. 


Sou o transporte desta inconcreta alegria, do bocadinho de alegria que cativei do nada em mim.
Efémero lugar que me trouxe um gosto a doce, um gosto de mim pelos poucos observados minutos.
Um nada que nao deixou de ser em vao num dia normal. frio. 
Chuva que nadou o rosto.
Rosto que testemunha diálogos. Diálogos imaginários.


A maior desilusão, chorar sem porquês.
Chorar sem ter certezas nem certezas da razão
Chorar em vão, num sentimento rasgado. 
Como o fruto que nao se transforma, aparece sem magia.
Gotas todavia trepam o pescoço


Chorar e o panorama do arco íris em esboco no céu negro.
Preenche. Fico semeada de algo inacabado mas cheio á pele que o apura e descanso á raiz da própria pele em talco.


O meu sangue é velho,
Está cansado, escorre ao ritmo do calor fragmentado dos membros.
É tão pouco. Nada se ramifica, fico parada no caule á espera que algo bom floresca.
Fico de vez em vao aqui, olhando a nascente no meio em mim. 
No meio da nascente no meio de mim e eu parada na ponte sobre o chão.


Nada mais do pouco em mim me sacia.