quinta-feira, 22 de abril de 2010

na noite mais escura.

refúgio-me
mas nada adianta
as palavras e as visões voltam
leio-as com os meus lábios imovéis
vejo-as com os olhos cerrados
obscuram-me, mas também as procuro quando me deparo numa noite escura
sinto-me eu ao revivê-las numa fracção de espaço e de tempo
minha alma evapora e derrete junto do afecto
sinto a sensação e o fantasma cobre-me
uso as sensações para cobrir o afecto que me falta aqui
e abraço-me, como sou genuina por este facto
a verdade é que sou gente, respiro com o aconchego do passado e vou transpirando o presente..
muita gente o faz, porque quando há saudade, há passado e há momentos que ficam a esvoassar pela mente
queres voltar lá e não voltar cá


o meu presente é uma corda que vou segurando
escalando a montanha mais alta, segurando bem as pedras, olhando o pé atrás..
vejo a minha irmã crescer, a puberdade a surgir, o corpo de mulher a nascer..as bonecas a um canto,.
vejo a minha mãe, a ser pai e mãe.. nasceu mulher e assim toma o seu destino todos os dias, como é bela, vê la ser assim. ela nunca desiste e por mais insensivel que esteja muitas vezes, suspira e dá-me um beijo.
vejo caras desfocadamente por onde caminho, em poucas vejo aconchego, mas são as suas presenças
quem me fazem presente na rua.
vejo uma cidade, feita de sequências e trajectos distintos, muitas vezes vejo e paro, muitos param mas p'ra me ver a olhar. a cidade nunca para, adormece-me num ritmo e acorda-me no mesmo.
vejo-me ridiculamente contra a parede, ou olho e vivo com corpo e mente ou fico assim assim de corpo mas ocamente.
. e ai recorro aos meus sentidos.. olho o passado, ouço algo que me faz relatar o tacto do presente, provo então o presente , cheira me a vida


afinal sou uma luz na noite mais escura.

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