
Despeço-me da porta branca com um puxão brusco.
Desço não ansiando, mas quando abro a porta preta, sinto-me viva como todos aqueles que pensavam como eu, afinal a nova estação chegou.
Com ela veu tudo, a uns tráz solidão e o eco do brincar das folhas, a outros aconchego e comunidade.
Os passos dela são leves e, ao mesmo ritmo os seus olhos os acompanham.
Sinto-me bem ao vê-la assim, está tão satisfeita que podia ir ao longo do caminho todo de mãos dadas, mas nego, prefiro assim.
Então faço-a escutar palavras doces. Como ela as aprecia.
Cada um parece ciente do que fazer, seria invulgar não ver ninguém na rua, mas são poucos aliás como o dia não chama alguém.
Mas lá o vejo naquela varanda e fico feliz de ver um amigo.
Ela vai ficando com passos mais pesados e notáveis e o movimento fá-la parar. Não vê ninguém como ela, mas aconchego-a de novo tocando-a, olho em redor e vejo outro olhar puro. Logo a seguir uma inocência de olhares, estão por todo o lado.
Como ela expira as suas preocupações.. Só vê aquelas duas portas abertas e umas mãos suaves a passarem em cada cabelo á entrada. A excitação a atrai e logo um beijo serviu de adeus e a vi caminhando para a porta como um dia caminhei.
De volta tudo se torna mais sossegado e já ouço o brincar das folhas.
A natureza nos possue.
Sinto o nariz cada vez mais longe, até ao ponto de não o sentir mais, ela o possue com este ar húmido e elouquente.
Só, mas ao longo do passeio gasto, vou olhando-as estão nuas mas agora envolvem-me, já basta o eco das folhas e o abanar dos ramos.
Vou-me aproximando da porta fria onde o sussurrrar se torna agitado e vou ouvindo aves a cantarolarem. Fazem com que o dia me chame como o sol e embalam-me até á frieza da porta, hoje mais que tudo a sinto quente.Nota-se que cheguei.
Mais uma vez fechei os olhos nesse dia, aqueci o corpo com a manta e o coração relembrando o seu sorriso.
1 comentário:
o teu sonho pode ser sido interrompido, roubado por um tempo, mas ele há-de continuar, e tu vais concretizá-lo. e eu vou-me assegurar disso.
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