O sol radiava, embatia contra o mar flutuante.
Um arco-íris se reflectia.. em paz eu estava.
Era apenas um sonho...fechei os olhos e vi.
Lá estava eu de novo envolvida na nostalgia da minha visão.
Era uma jornada impossível, reviver, voltar ao momento saudoso
Voltei a cheirar os morangos.
Voltei a sentir abraços e beijos, tactos e texturas que se ramificavam em pedaços.
Não era a lágrima que voltei a recordar mas o vibrar dos meus instintos;
O presente e o passado cruzaram-se...pude provar gestos dos que me querem bem.
Ao longo dos dias, aquelas ruas gastas embalavam-me numa melodia do adeus.
Eram passos que se moviam ao bater dos ponteiros,
Uma sensação ingenuamente real.
Não creio que lá presenciava, estava a tocar o céu passado.
Olhei tudo tão detalhadamente para ver que seria possível voltar a ver os mesmos traços
noutros passos futuros.
Somos sombras satisfeitas, cada uma com uma forma indistinta;
Temos esquinas diferentes mas somos perpendiculares, sempre o seremos.
Mais uma vez passei por um chão molhado... tudo estava reflectido concretamente.
Já sabia o próximo passo..
Teria de me interiorizar e acordar.
Sou como a fragilidade de um corpo sem pele,
apenas me refugio naquilo que nunca desiste de mim...e a razão pela qual
mantenho os olhos plenos e acordados.
Primeiro passo que dei e inverti, sozinha
Todos me seguraram, não soube me agarrar e inútil passei
Lágrimas soltei e sequei;
Tactos senti e levei;
Olhares que não ignorei, escondi para comigo
...E as meias palavras mutúas escutei.
Abri os olhos... mas com a mão cubro...como venero estes morangos